
Segurança da informação em instituições de pagamento: da conformidade regulatória à arquitetura
2 de setembro de 2026
8 min de leitura
Eurico Nicacio
Segurança da informação em uma instituição de pagamento (IP) abrange rastreabilidade de cada transação, controle preciso de quem acessa o quê e capacidade de preservar ou restabelecer serviços essenciais durante incidentes de segurança. Em 2025, o Pix registrou quase 80 bilhões de transações, segundo o Banco Central do Brasil. Para quem opera nesse volume, cada ponto de fragilidade tem consequência direta na continuidade do negócio.
Considere um cenário hipotético: o time de tesouraria de uma empresa com 2.000 fornecedores descobre que um lote de pagamentos saiu com aprovação de um usuário sem alçada para aquele valor, por uma configuração de acesso mal feita. A correção pode exigir revisão dos acessos, das aprovações realizadas e dos registros relacionados.
A conversa sobre segurança da informação em fintechs e IPs tende a focar no ataque externo. Riscos relacionados a permissões excessivas, credenciais compartilhadas, webhooks sem autenticação e tratamento inadequado de dados podem permanecer despercebidos até que ocorra um incidente ou uma auditoria.
Segurança em pagamentos precisa estar na base da arquitetura
Em uma operação de pagamentos, a decisão de quem pode acessar o quê, em qual contexto e com qual nível de autorização, precisa estar resolvida antes da primeira integração entrar em produção. Essa decisão determina como todo o restante do sistema se comporta.
Uma API de pagamentos que expõe dados de transação carrega, por definição, uma política sobre quem pode chamá-la e o que recebe em resposta. Quando essa política está na arquitetura desde o início, ela se aplica a toda integração por padrão: o cliente conecta sua aplicação e já opera dentro de um perímetro de segurança definido. Cada nova integração parte de uma base consistente de controles, complementada pelas configurações específicas de cada cliente e fluxo.
No controle de alçada, a regra que define quem pode aprovar determinada operação conforme valor, responsabilidade ou fluxo configurado segue a mesma lógica. Quando desenhada como parte do fluxo de aprovação, funciona como barreira nativa: o sistema retém o pagamento até que a condição seja cumprida, dispensando etapas manuais de verificação.
Esse design tem implicação direta no raio de impacto de qualquer falha de segurança. Em um sistema com controles arquiteturais, um agente não autorizado que utiliza uma credencial comprometida opera dentro das mesmas fronteiras do perfil original. Controles de menor privilégio ajudam a limitar o raio de impacto, restringindo as ações possíveis ao escopo atribuído à credencial comprometida.
O que as operações de alto volume esperam além da conformidade regulatória
O Banco Central do Brasil estabelece requisitos de segurança e continuidade para instituições de pagamento: disponibilidade de sistemas, capacidade de resposta a incidentes e recuperação de falhas. Esses critérios definem o padrão mínimo de operação regulatória.
Para o Pix especificamente, o BCB mantém o IQS (Índice de Qualidade de Serviço do Pix), que avalia as instituições participantes com base em indicadores como disponibilidade do serviço, taxa de reclamações e timeouts. A nota máxima nessa avaliação sinaliza que a instituição opera dentro dos parâmetros mais rigorosos de estabilidade.
Em operações B2B de alto volume, os requisitos operacionais avançam além do que a regulação estabelece:
- Uptime declarado com histórico verificável.
- Webhooks nativos com autenticação e reenvio automático em caso de falha.
- Restrição do uso das credenciais de API a IPs previamente cadastrados.
- Separação entre perfis de visualização, execução e aprovação.
- Log auditável de cada ação realizada dentro da conta.
Uma trilha de auditoria adequada deve permitir identificar a ação, o usuário, o horário, o resultado e o contexto da operação.
Configuração de acesso como vetor de risco
Os riscos de identidade e acesso começam antes de qualquer ataque externo. Em muitos casos, eles já estão presentes na estrutura de permissões desde o momento em que a conta é configurada.
Em operações financeiras, o princípio que governa esse problema é direto: cada pessoa no time deve ter acesso exatamente ao que o cargo exige. Na prática, o que acontece com frequência é outro cenário: permissões concedidas no onboarding e nunca revisadas à medida que o papel da pessoa muda, perfis compartilhados entre múltiplos usuários por conveniência operacional, ou usuários desligados que permanecem com acesso ativo por falhas no processo de offboarding.
Cada um desses padrões cria um vetor de risco com consequências distintas:
- Permissão além do cargo: um analista com perfil de execução que não usa essa permissão no dia a dia representa uma superfície de ataque ativa. Se as credenciais dele forem comprometidas, o atacante opera com escopo de execução dentro da conta.
- Credencial compartilhada: quando dois usuários operam com o mesmo login, qualquer ação registrada no sistema perde autoria individual. Em uma auditoria, a atribuição individual de responsabilidade fica comprometida.
- Usuário ativo pós-desligamento: sem offboarding estruturado, o ex-funcionário retém acesso enquanto a empresa não percebe. Em operações com rotatividade alta, o acesso pode permanecer ativo até que a falha seja identificada e corrigida.
Cada um desses padrões tem um controle complementar. Perfis de menor privilégio reduzem permissões excessivas, garantindo que cada usuário opere apenas dentro do escopo do cargo. Contas individuais evitam o compartilhamento de credenciais e preservam a autoria de cada ação no sistema. Essa granularidade gera rastreabilidade individual de cada ação e protege o próprio time em caso de contestação: cada decisão pode ser associada ao usuário que a realizou, desde que sejam utilizados acessos individuais e registros íntegros.
Três camadas fundamentais para controle e rastreabilidade
Plataformas que levam segurança a sério estruturam o problema em três camadas com funções distintas:
A autenticação verifica a identidade apresentada pelo usuário; a autorização determina quais ações ele pode executar; e a auditoria registra o que foi realizado.
São três camadas com funções distintas, e é por isso que precisam funcionar de forma integrada. Quando uma delas está ausente ou mal configurada, toda a cadeia de rastreabilidade fica comprometida.
A Trio estrutura o controle de usuários em perfis com alçadas por valor e por tipo de operação, e cada ação dentro da conta gera um registro rastreável. Eventos e atualizações de estado das transações podem ser enviados em tempo real por webhooks configuráveis e autenticados, o que permite que o sistema do cliente reflita o estado atual da conta sem depender de exportação manual.
Por que a Trio apoia a comunidade de segurança
Nenhuma empresa resolve segurança de forma isolada. O avanço real do setor acontece quando pesquisadores, profissionais e empresas trocam conhecimento sobre vulnerabilidades, técnicas e arquiteturas de forma aberta.
É esse o propósito das conferências BSides, uma rede global de eventos de segurança da informação que nasceu em Las Vegas em 2009. Em julho de 2026, a organização global contabilizou 1.329 eventos realizados em 300 cidades de 73 países. No Brasil, a BSides chegou em 2011 e se espalhou para São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Vitória e João Pessoa. Só em 2025, os eventos brasileiros reuniram mais de 2.300 participantes.
As propostas são recebidas por meio de uma chamada pública e selecionadas pela organização do evento, o que contribui para uma agenda conectada aos temas e desafios que mobilizam a comunidade técnica. O resultado é um ambiente de aprofundamento técnico e troca prática de experiências: pesquisadores apresentando vulnerabilidades, times de Blue Team e Red Team trocando metodologias, CISOs e profissionais de governança e segurança discutindo gestão de riscos.
Trio na BSides CWB: 17 de outubro de 2026, Curitiba
No dia 17 de outubro de 2026, Curitiba recebe a primeira edição da BSides CWB, realizada na PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). A programação inclui: mini-treinamentos, palestras técnicas, villages temáticas (CISO, Forense, BioHacking, Lockpicking, Cloud, Blue Team, Red Team, Mulheres em Segurança etc.), competição de "Capture the Flag" (CTF) e uma trilha de atividades educacionais e recreativas exclusiva para crianças.
A Trio estará presente como patrocinadora do evento, reforçando sua proximidade com a comunidade de segurança. Para uma instituição de pagamento autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil, a segurança da informação faz parte do que define a qualidade operacional. E qualidade operacional depende de um ecossistema que se atualiza constantemente, com profissionais em contato permanente com as técnicas e vulnerabilidades mais recentes.
Eventos como a BSides CWB constroem esse ecossistema. Participar é, para a Trio, uma forma de estar no mesmo espaço que os profissionais que estão construindo práticas e discussões que contribuem para a evolução da segurança no setor.
Se você vai estar em Curitiba no dia 17, a BSidesCWB acontece na PUCPR. Mais informações em bsidescwb.com.br.
Segurança da informação como parte da operação
Segurança da informação em pagamentos resulta da soma de decisões de arquitetura que determinam se a operação aguenta pressão, se o acesso é controlado com granularidade real e se cada transação pode ser reconstituída para fins operacionais, de auditoria e de atendimento às autoridades competentes.
Para a Trio, que opera como instituição de pagamento autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil, esse conjunto de decisões sustenta a capacidade de uma operação de alta volumetria funcionar com previsibilidade. Eventos como a BSides CWB são onde esse padrão continua sendo construído, na troca entre os profissionais que estão na linha de frente da segurança digital.
Para entender como a Trio estrutura controle de acesso e rastreabilidade em operações B2B, fale com nosso time.
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