Nos últimos anos, as estratégias de investimento adotadas por grupos empresariais no Brasil passaram por transformações importantes. A legislação recente buscou reequilibrar a tributação sobre estruturas sofisticadas, impactando especialmente veículos como os fundos exclusivos e a prática de “carregar posição”.
Desenvolver um portfólio inteligente com assessoria de investimentos na sua PF pode ajudar e muito na manutenção dos rendimentos da sua PJ.
Neste vídeo, o diretor de investimentos da __Trio gestora de Recursos__, Gabriel Timm, fala sobre quais alternativas são mais interessantes quando o assunto é fazer os dividendos da sua empresa render: mais e melhor.
No passado, muitos investidores adotavam a estratégia de manter ativos de longo prazo dentro de fundos de investimento, adiando a incidência do Imposto de Renda sobre os ganhos. Esse diferimento criava um benefício de eficiência tributária, já que o imposto só era pago no resgate.
Com a nova legislação, o chamado come-cotas foi estendido a mais estruturas, reduzindo o benefício de postergar a tributação. Assim, “carregar posição” dentro de determinados fundos perdeu parte de sua atratividade como estratégia fiscal.
Os fundos exclusivos sempre foram ferramentas relevantes para famílias empresárias e grandes companhias, tanto pela personalização da carteira quanto pela eficiência tributária.
Entretanto, a lei atual reduziu o ganho fiscal desses fundos, já que passaram a ser submetidos a regimes de tributação mais próximos dos fundos tradicionais. Ainda assim, faz sentido para muitos grupos manter esses veículos, especialmente quando o objetivo principal é a gestão patrimonial, sucessória e de governança, e não apenas a vantagem tributária.
Permanece válido:
- Estruturas de previdência (PGBL e VGBL), que continuam oferecendo benefícios de diferimento e sucessão.
- Incentivos setoriais e regionais, como debêntures incentivadas de infraestrutura.
- Possibilidades de planejamento sucessório via fundos, que ainda oferecem praticidade e blindagem patrimonial.
Deixaram de existir ou foram limitados:
- O diferimento amplo em fundos exclusivos.
- A vantagem de acumular ganhos sem incidência periódica de IR, já que o come-cotas foi universalizado em maior escala.
- Impacto na inovação financeira
A nova legislação tem como objetivo aumentar a arrecadação e reduzir desigualdades tributárias entre investidores. No entanto, o excesso de carga e a eliminação de incentivos podem desestimular estruturas mais sofisticadas que, em muitos casos, também fomentavam inovação no mercado financeiro brasileiro.
O desafio está em equilibrar a busca por arrecadação com a manutenção de um ambiente que incentive o desenvolvimento de novos produtos e soluções financeiras.
Para grupos empresariais, o caminho é a profissionalização da gestão financeira. Algumas recomendações:
- Avaliar cuidadosamente custos tributários versus benefícios de estruturas sofisticadas.
- Priorizar veículos de investimento que conciliem eficiência, segurança jurídica e alinhamento ao planejamento estratégico da empresa.
- Evitar estruturas meramente artificiais, que podem gerar risco de autuação fiscal.
- Investir em tecnologia e automação da tesouraria para ampliar eficiência operacional, sem depender exclusivamente de ganhos fiscais.
Nesse cenário de mudanças, contar com um gestor de investimentos especializado torna-se essencial. Ele garante que a empresa ou grupo familiar não apenas esteja em conformidade com a lei, mas também maximize oportunidades de diversificação, liquidez e retorno ajustado ao risco.
Mais do que nunca, a boa gestão financeira é a chave para transformar desafios regulatórios em oportunidades de crescimento sustentável.