O Open Finance poderá salvar as PMEs da crise?

Bruna R. Calegari

#OPENBANKINGBRASIL

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Leitura de 4 minutos

O Open Finance está revolucionando a análise e geração de negócios para pequenas e médias empresas (PMEs), da mesma forma que as atuais estrelas do mercado financeiro, os neobancos, começaram a revolução das finanças pessoais.

Primeiramente: por que Open Finance e não Open Banking?

Do Open Banking participam instituições financeiras, a ponto que do Open Finance todo o ecossistema que anseia por inovação, seja de bens, varejo ou empresarial (PME) pode participar. Um resulta na evolução natural do outro.

Embora a abertura de dados financeiros seja frequentemente associada às fintechs, o acesso, a agilidade e a transparência financeira que nascem estão impactando os negócios de todo tipo e tamanho. Após a regulamentação do Open Banking, as instituições financeiras passam a conceder acesso a contas de consumidores por meio de APIs gratuitas obrigatórias. No entanto, agora as empresas também podem obter novos benefícios desenvolvendo serviços próprios, utilizando a mesma tecnologia empregada. A seguir você entende como isso acontece, em detalhes:

Concorrência

Por muito tempo, os bancos tradicionais detiveram o monopólio sobre o acesso aos dados financeiros de seus clientes. A regulação do Open banking no Brasil, faseamento que vem acontecendo desde fevereiro de 2021, exige que os bancos forneçam acesso seguro e autorizado aos dados de suas contas de clientes. Anteriormente, esse tipo de acesso aos dados financeiros exigiria uma grande quantidade de capital, algo que as PMEs nem sempre têm em abundância.

Como acontece com qualquer empresa, as próprias PMEs também são clientes que requerem o uso de serviços financeiros. A mesma competição que beneficia os consumidores individuais também beneficia as empresas que agora têm mais opções na escolha dos produtos financeiros mais adequados para suas operações.

Para as PMEs que lidam especificamente com a oferta de serviços financeiros, elas têm duas opções: usar um provedor de serviços de conta digital, benefícios etc, mais conhecido no universo de tecnologia como Banking as a Service, ou tornar-se um serviço que age sobre as informações das contas, na modalidade Fintech as a Service utilizando o acesso seguro ao Open Finance.

Acesso

O que é único no acesso aos dados bancários fornecidos por APIs atualmente é a velocidade e a segurança. Essas APIs fornecem as informações da conta de um usuário apenas com seu consentimento expresso, e o usuário tem controle total sobre a duração desse acesso. Embora o Open Banking no mundo já exista em várias formas por cerca de 20 anos, as tecnologias utilizadas anteriormente não eram tão estáveis ​​e definitivamente não eram tão seguras.

O avanço das tecnologias de scrapping e engenharia reversa torna possível a eliminação da necessidade de imprimir fisicamente ou enviar PDFs de informações de contas, o que exigia tempo para processamento manual ou aprovação. Seu uso permite centenas de automatizações, mas exige que o consumidor confie na empresa que faz o request para armazenar a senha da conta.

Mais uma vez, para quaisquer PMEs que desejam se tornar clientes desses serviços financeiros de banco aberto, a segurança e confiabilidade para permitir o acesso são as principais prioridades. Um grande passo para permitir que as APIs compatíveis concedam às empresas acesso seguro a todas as suas contas, em um só lugar.

Desenvolvimento do mercado de crédito

Um dos casos de uso mais comuns no mundo para utilização dos dados provenientes do Open Banking é o credito. Nos Estados Unidos e na Europa a adoção das tecnologias Open Finance teve um efeito gigante nos empréstimos às PMEs. Conforme mencionado anteriormente, as transações comerciais podem incluir várias contas diferentes, possivelmente de instituições diferentes. Isso pode tornar difícil para os credores das PMEs estabelecerem a capacidade de crédito. No Brasil, por exemplo, até 86% das empresas já tiveram empréstimos negados e um dos fatores é a complexidade de reunir todas as informações bancárias para análise.

As instituições de crédito tradicionais requerem uma grande quantidade de processos manuais, que freqüentemente sofrem de lacunas de informação que as impedem de ver o quadro financeiro completo. Os dados abertos e reunidos em um só local podem preencher essas lacunas, possibilitando melhores ofertas de crédito, além de oferecer ferramentas de comparação e monitoramento de produtos, preços, fornecedores e relatórios de saúde financeira.

Conclusão

Juntas, as 9 milhões de pequenas e micro empresas brasileiras movimentam 27% do PIB nacional (dados do Sebrae/2021). No momento em que muitas fecharam as portas, outras surgiram com oportunidades, e todas necessitam de atenção e gestão, entender a saúde financeira, conseguir fechar as contas no azul e organizar as finanças pode ser primordial.

As PMEs ajudam a economia a crescer e, se o Open Finance puder permitir que esses negócios cresçam de maneira mais rápida e eficaz, a economia como um todo colherá os benefícios.

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