Open Banking ou Open Finance?

Bruna R. Calegari

#OPENBANKINGBRASIL

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Leitura de 5 minutos

Segurança, transparência e uma experiência impecável formam o tripé dos novos produtos financeiros, amados pelo consumidor. E uma das grandes novidades que extrapola o mercado financeiro para entregar inovação é o Open Finance. Essa mudança, que no Brasil vem sendo acompanhada pela regulamentação do Banco Central, representa um avanço significativo do país em termos de digitalização, dinamização e transparência, trazendo uma série de recursos e oportunidades para o mundo das finanças - pessoais ou empresariais.

Como uma evolução do Open Banking (dados bancários abertos), o Open Finance (sistema financeiro aberto) promoverá maior diversidade no mercado, permitindo mais liberdade para uma série de entidades e plataformas que lidam com operações econômicas.

Essa inovação traz uma infinidade de oportunidades, que terão adoção contínua e prolongada. Por isso, é importante que você, consumidor e tomador de decisões, compreenda o que é o Open Finance, suas vantagens, perspectivas e impacto no mercado. Acompanhe a leitura para ficar por dentro deste modelo que veio para ficar e irá revolucionar o ecossistema financeiro.

O que é o Open Finance?

Antes de mais nada, é importante compreender que o Open Finance é um conceito que traz mais players, sejam eles fintechs, ERPs ou empresas de setores diversos, para o Open Banking. Pode-se considerar, portanto, que um modelo é a evolução do outro.

A posição do Banco Central do Brasil neste assunto, abordada nas fases de regulação do Open Banking, está de acordo com um movimento que vem crescendo, em que consumidores e empresas buscam direitos legais para controlar os seus dados financeiros e o poder de compartilhá-los com companhias de sua escolha. O objetivo do Open Finance é capacitar consumidores e pequenas empresas a acessarem, alterarem e se beneficiarem dos dados mantidos sobre eles com governo e instituições.

Por meio desse novo modelo, inúmeras organizações podem oferecer produtos financeiros, desde que estejam de acordo com determinadas regras preestabelecidas pelo Bacen e realizem a integração de forma correta. Com isso, diversas áreas poderão, por meio do sistema aberto, oferecer serviços que permitam experiências inovadoras aos consumidores, tornando-se parte de um mercado financeiro cada vez mais inovador, democrático e competitivo.

Qual é a diferença entre Open Banking e Open Finance?

Se você já incorreu nessa dúvida, fique tranquilo. Essa é uma pergunta recorrente e que possui fundamento, afinal, um sistema existe a partir da evolução do outro. Nesse sentido, enquanto o Open Banking promove mudanças nas relações de bancos e fintechs, o Open Finance amplia essas mudanças para todo o mercado. A seguir, explicamos as diferenças entre os dois sistemas.

Open Banking:

O Open Banking, ou sistema financeiro aberto, abre a possibilidade para que os clientes de produtos e serviços financeiros permitam o compartilhamento de seus dados entre bancos e fintechs autorizados pelo Banco Central.

Esse é um modelo inspirado na economia europeia, principalmente do Reino Unido. As informações compartilhadas são, por exemplo, dados da conta, saldo, extrato, movimentação etc.

De acordo com o próprio Bacen, por meio dessa sistemática haverá mais competição, uma vez que as instituições participantes poderão ofertar produtos e serviços levando em conta o que é oferecido pelo concorrente, buscando condições mais vantajosas.

Além disso, será possível também que o consumidor tenha maior controle de sua situação financeira. Caso ele tenha, por exemplo, conta corrente em mais de um banco, poderá controlar todas as suas informações em apenas um único local.

Open Finance:

O Open Finance pode ser compreendido como uma evolução natural do Open Banking. O intuito é que, enquanto o primeiro é utilizado para dinamizar e modernizar as operações entre bancos e fintechs, o segundo promova ainda mais diversidade, abarcando todos os setores que desejam inovar através de serviços financeiros.

Nesse sentido, as instituições financeiras menos tradicionais podem desfrutar da possibilidade de compartilhamento de dados de seus clientes através do modelo regulatório do Bacen. Além disso, com o surgimento desse sistema financeiro aberto, será possível que novos modelos de serviços possam ser ofertados, através da conexão com APIs que atuam no multisetor, como a Trio Banking API.

Dessa forma, o Open Finance promoverá um salto nas possibilidades de inclusão e acesso ao mercado financeiro brasileiro. Com maior dinamismo, inovação e transparência, será possível que empresas encontrem melhores opções para transformar suas operações.

Sem o acesso consentido e seguro aos dados bancários do Open Banking, o Open Finance não poderia existir.

Vantagens para as empresas (B2B)

Assim como o sistema oferece benefícios para os clientes, oferece também às empresas. Para as instituições, será possível ter acesso aos dados bancários dos clientes, desde que com o consentimento e autorização desses. Além disso, por meio de uma plataforma de serviços financeiros com interface padronizada (whitelabel), será muito mais fácil para as empresas criarem uma experiência que envolve mais do que seus serviços, deixando a concorrência para trás e angariando mais clientes.

Sairá na frente quem inovar primeiro. Uma vez que o cliente terá mais opções de escolha ao partilhar seus dados com segurança, desenvolver um ambiente de confiabilidade e que traga mais valor - no caso do Open Finance, este valor pode vir na forma de uma facilidade no onboarding, programas de pontos, análise e oferta de crédito ou benefícios.

Com as mudanças do Open Finance, uma série de impactos passa a marcar o sistema financeiro. Como a competição e a transparência vão aumentar, as organizações terão que pensar em melhores estratégias para conquistar e manter os clientes. Transformar-se em Startup ou até mesmo em Fintech, trazendo serviços financeiros para dentro, é uma opção apontada por diversos estudos.

90% dos consumidores estão dispostos a compartilhar seus dados em troca de benefícios.

Dessa forma, à medida que os clientes utilizam o sistema financeiro aberto, poderão escolher as melhores condições de crédito e de serviços que se adequem às suas necessidades e objetivos, independentemente da instituição. Para poder competir, as empresas terão que ofertar melhores experiências. Por ser tecnologicamente mais simples e ágil operar nesse sistema, será também mais fácil baixar preços, oferecer menores tarifas, analisar de forma mais simplificada etc.

Contudo, é importante compreender que essas mudanças não acontecerão de uma hora para outra. O mercado tende a se ajustar gradativamente.

Como foi possível notar, a implantação do Open Finance no Brasil traz uma série de mudanças no sistema financeiro. Esse novo sistema abre portas para uma maior dinamização da economia, bem como traz melhores condições aos usuários, favorecendo segmentações naturais de mercados e indústrias que têm dinâmica própria.

Vantagens para o cliente final (B2B2C)

Um ponto fundamental é que o Open Finance parte do princípio simples, embora nem sempre muito percebido, de que os dados do cliente pertencem ao próprio cliente, não à instituição financeira e tampouco à empresa que os solicita para análise.

Resumidamente: um banco que detém o histórico de um cliente consegue perceber melhor qual é o seu perfil e oferecer serviços que sejam mais condizentes com o seu comportamento. O que, de certo modo, faz com seja mais difícil para o cliente, migrar para outra instituição.

Por conta disso, abrir o sistema financeiro e permitir ao cliente que compartilhe os seus dados, possibilita que outras instituições — com as quais o cliente queira manter relacionamento — tenham acesso ao seu perfil como pagador e usuário, entre outros dados do possível cliente, e, a partir disso, ofereçam serviços adequados a ele.

Por exemplo: caso uma pessoa, colaborador ou empresa queira solicitar crédito, é possível comparar as condições entre as diversas instituições financeiras, e agora também conseguir diretamente em lugares onde já exista uma relação de confiança, como a própria empresa empregadora: um exemplo é o iFood, que antecipa diretamente crédito para restaurantes credenciados. Isso se expande para empresas diversas de contabilidade ou de gestão. Para que isso seja feito de forma efetiva, é necessário que a empresa em questão tenha acesso consentido aos dados do usuário para saber qual é a sua renda, se ele é um bom pagador etc. Entenda mais.

Dessa forma, o Open Finance permite uma maior transparência e controle ao próprio cliente. Ele poderá levar os seus dados para onde bem desejar, com o intuito de encontrar as melhores condições para as suas operações financeiras.

Se você tem interesse em inovar e participar ativamente do novo ecossistema financeiro, fale com a gente e conheça o que a Trio pode fazer por sua empresa.